Dissertações e teses 2015

   Projeto de Tese

Título:

 

Sobre o tempo advindo da aposentadoria: desvelamentos nas narrativas de idosos jubilados em Fortaleza-CE

Autora:

Lorena Ibiapina Gurgel

Orientador:

Prof. Dr. José Clerton de Oliveira Martins

Resumo

O envelhecimento da população é um fato atual, crescente e relevante, para o qual a tecnologia e o avanço da ciência contribuíram com o aumento da expectativa de vida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece como idoso o sujeito com 60 anos de idade em diante. Nesta fase da vida, o idoso passa por alterações em múltiplas dimensões, dentre elas a aposentadoria. Essa interrupção das atividades laborais sugere uma mudança no cotidiano pelo acréscimo de tempo livre compulsório que surge na vida de quem se aposenta. Assim, buscar informações sobre a apropriação que o idoso faz do seu tempo advindo da aposentadoria, na sua realidade diária, significa buscar entender a heterogeneidade do seu conteúdo, pois a vida cotidiana é a vida do homem inteiro, e o tempo é um recurso fundamental não-renovável. Diante disso, interroga-se: Como o idoso apropria-se do tempo livre advindo da sua aposentadoria? O objetivo geral, portanto, é investigar como o idoso apropria-se do tempo livre advindo da aposentadoria. O estudo se configura como exploratório/descritivo com abordagem qualitativa e foi realizado no município de Fortaleza com 7 idosos, homens, com no mínimo 5 anos de aposentadoria e integrantes da Associação dos Aposentados do Banco do Nordeste (AABNB), sendo estes os critérios de inclusão. Para a coleta de dados, foi utilizada a entrevista semiestruturada, com foco na coleta do Discurso do Sujeito Coletivo – DSC, complementada pelo Teste de Associação Livre de Palavras (TALP). Os resultados apontaram que dentre as apropriações pelo idoso percebidas no seu tempolivre advindo da aposentadoria, estão as possibilidades de: lazer, turismo, estudos, ser avós, recasar, descansar e participar de atividades voluntárias, dentre outras. Conclui-se que o tempo livre advindo da aposentadoria é percebido e apropriado sob diferentes possibilidades. Contudo, ele se resume a dois lados paradoxais: para a maioria, esse momento é positivo, no que tange a oportunidades prazerosas geradoras de engrandecimento e protagonismo; para outros, é um período de tédio, ociosodade, sem sentido e significado.

Palavras-chave: Idoso. Aposentadoria. Tempo livre.

 

 

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  Projeto de Tese

Título:

Empreendimento entre ócios e negócios: estudo qualitativo sobre experiências potencializadoras da vida com idosos de Mossoró-RN

Autora:

Kalyana Cristina Fernandes de Queiroz

Orientador:

Prof. Dr. José Clerton de Oliveira Martins

Resumo

Sabemos que a expectativa de vida do brasileiro aumentou consideravelmente nos últimos anos, fato este que resulta na existência de vários homens e mulheres que, quando se aposentam, ainda possuem saúde, experiência e conhecimentos suficientes para permanecerem trabalhando e executando atividades produtivas e criativas. Estes dados evidenciam o fato de que um grande número de pessoas que passaram anos de sua vida trabalhando estão hoje aposentadas ou se aposentando.Surgiram, com efeito, alguns questionamentos: o que estão fazendo estas pessoas na aposentadoria? É possível acentuar que elas permanecem trabalhando, entretanto agora por experiências de prazer? Estar aposentado significa perda da capacidade criativa? É possível correlacionar práticas empreendedoras ao “tempo livre” da terceira idade? Desses questionamentos, surgiu o tema deste estudo: empreendimentos de idosos na atualidade, aposentados e/ou pensionistas, com suporte em entrevistas semiestruturadas, teste de associação livre de palavras, perfil empreendedor e observação de práticas empreendedoras de um grupo de idosos.Para a consecução deste estudo, supõe-se, desde logo, que: a) as experiências vivenciadas pelos idosos, nos empreendimentos subjetivos, podem ser associadas a experiências de ócio estético e ócio construtivo; b) os empreendimentos subjetivos podem revelar vários significados e sensações; os empreendimentos possuem relação com história de vida de cada idoso; c) os empreendimentos são realizados como uma forma de ocupar o tempo de vida, principalmente sobre a arte de viver com dignidade; d) executam outras atividades ao se aposentarem por não saberem o que fazer com o seu tempo liberado do trabalho, que pode ser livre ou não. Os condicionantes destes pressupostos são os de que talvez elas empreendam pela sua saúde mental; outras para permanecerem inseridas no mundo social; outras, ainda, para se mostrarem úteis; muitas para manterem o seu padrão de consumo e diversas para poderem agora viver um ócio criativo, fazendo o que lhes dá prazer e significado de viver, ensejando assim um equilíbrio subjetivo, deixando de lado a atividade de somente cuidar dos netos, da casa, ler jornal, assistir à TV e ficar nas calçadas conversando e vendo os anos passarem. É interessante deixar claro que esta tese tenta aproximar a discussão entre capacidade criativa, ócio e empreendedorismo na terceira idade. Estes conceitos serão definidos ao longo do marco conceitual. Para Pinheiro, Rhoden e Martins (2010, p.1134) “Em termos subjetivos, a palavra ócio reaparece como sinônimo de ocupação desejada, apreciada e, também, resultado da escolha livre”. Para Francileudo (2009) a prática social capitalista supervaloriza o trabalho, sendo este de um intenso componente ideológico.Nesse sentido, o problema de investigação teve como ponto de partida a seguinte pergunta geradora: quais motivos conduzem os idosos a realizar empreendimentos entre ócios e negócios? Esse questionamento permitiu definir o objetivo geral da investigação: Demonstrar que o ato de empreender-se é uma experiência potencializadora de vida e é nisso que a experiência de empreender-se, com suporte em negócios, possibilita o reconhecimento de potencialidades, talentos, bem como do reconhecimento de ricas histórias de vida, hábitos, habilidades e que isto encaminha para uma energia de existência que irá refletir em saúde física, mental, social, bem-estar, senso de propósito de vida. Estes idosos empreendem-se por motivos subjetivos, individuais, que mantêm estreita relação com a sua história de vida, com as suas aspirações e necessidades ou carências, fugindo do tradicional pensamento social de que ser idoso é apenas cuidar da família, ajudar na criação e educação dos mais novos e exercer atividades sem sentido, aguardando apenas o ciclo da vida seguir o seu percurso. Constituíram o objeto desta investigação as experiências de idosos, que moram em Mossoró-RN. Logo, os dados coletados na pesquisa com estes idosos, possibilitaram gerar dados para se conhecer os significados que eles atribuem as referidas experiências. Para tanto, neste estudo, se utilizou da etnografia e de alguns instrumentos para coleta de dados, como: entrevistas semiestruturadas, teste da associação livre de palavras- TALP, questionário da autoavaliação do espírito empreendedor e da observação. Suas respostas permitiram gerar conhecimento sobre os tipos, as formas e respectivos significados, e as repercussões dessas experiências em suas vidas. Algumas particularidades são comuns em pessoas que empreendem, como gostar de correr riso, persistência, perseverança, não ter medo de falhar, ser orientado para metas, possuir iniciativa, ser proativo, e, procurar ter conhecimentos profundos das necessidades dos seus clientes. Sendo assim, a localização de possíveis características empreendedoras trouxe 18 informações sobre as experiências pessoais vivenciadas na velhice por aposentados e pensionistas. Os marcos orientadores teóricos seguidos neste trabalho foi: envelhecimento, trabalho e aposentadoria na sociedade hipermoderna, ócio e capacidade criativa, empreendimento de si na aposentadoria, o tempo para empreender-se na aposentadoria.  

 Palavras Chave: Empreendimento, Aposentadoria, Idoso.

 

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