Dissertações 2010

Título:

 

OS SIGNIFICADOS ATRIBUIDOS AS VIAGENS TURÍSTICAS NA CONTEMPORANEIDADE POR TURISTAS EM FRUIÇÃO DE PACOTES TURISTICOS.

Aluna:

Débora Garcia

Orientador:

Prof. Dr. José Clerton de Oliveira Martins

Resumo

Mediante o cenário sociocultural do fenômeno turístico contemporâneo observamos uma realidade preocupante: o principal ator é o homem que consome, e não o que explora. Considerando que as viagens turísticas nas sociedades pré-industriais tinham um significado de desbravamento, contemplação e com foco na experiência em si, vislumbramos hoje uma tendência da indústria do turismo massificando as práticas e experiências de viagem, visto que na atualidade as experiências apresentam características específicas da conjuntura consumista perpassadas pela constituição utilitarista dos lazeres da atual sociedade capitalista. Desta feita, o estudo buscou apreender o sentido da experiência das viagens para turistas em fruição de pacote turístico em cruzeiro marítimo, bem como, investigar o que se configura turismo no contexto da sociedade contemporânea; determinar os sentidos que o turista concede às suas viagens no momento presente e expor possibilidades subjetivas das viagens turísticas a partir das potencialidades de ócio. A investigação se dá por meio do enfoque qualitativo, convoca revisão bibliográfica congregando idéias de importantes estudiosos sobre lazer, viagem turística e contemporaneidade. Ainda, aspectos da etnografia, resguardados à observação participante, descrição e síntese; aplicado num cruzeiro marítimo na rota turística Fernando de Noronha; no qual, buscou-se um relato de uma identidade cultural, investigando o sentido por intermédio do discurso do outro vivenciado pelo eu. Usamos um questionário semi-estruturado e os recursos de análise do Discurso do Sujeito Coletivo de Lefréve, além do método fenomenológico no processo de compreensão dos discursos. Assim, foi observado manifestações, por parte dos turistas, de práticas voltadas para um lazer que tocava o tripé, a qual Dumazedier (1980) traz nas suas teorias: descanso diversão e desenvolvimento; assim como, elementos associados ao mercolazer trazido por Mascarenhas (2005). Percebeu-se ainda, vivências que insidem em experiências de ócio, segundo Cuenca (2000), interação, prazer, contemplação. Portanto, o sujeito viajante encontra-se necessitado de descobrir e desvelar o sentido presente nas experiências de suas viagens capazes de gerar autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Até porque a perspectiva sociocultural atual apresenta-se permeada de estímulos, próprios da sociedade de consumo, que favorecem a manutenção de posturas consumistas e utilitaristas as quais deveriam ser progressivamente ultrapassadas ao longo do percurso de sua vida. 

Palavras-chave: Viagem turística; contemporaneidade; cruzeiro marítimo

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Título:

 

 

RUPTURAS NO TEMPO DA TAREFA: POSSIBILIDADE DE (RE) SIGNIFICAÇÃO DO TEMPO NO CONTEXTO DE TRABALHO

Aluna: Camile Gouveia
Orientador: Prof. Dr. José Clerton de Oliveira Martins

Resumo

A contemporaneidade apresenta como marca central a aceleração do tempo que configura novos ritmos sociais, a partir dos quais se abrem inúmeras ofertas para que se consiga viver intensamente todas as possibilidades como promessas de obtenção de felicidade, fomentando, assim, a cultura dos excessos perpassada pelo consumo exacerbado e acrítico. Nos contextos laborais, impera a racionalidade do tempo linear, mediante a qual o trabalho inanimado decorrente da mecanização passa a imperar como fonte de segurança, confiabilidade e precisão necessários a eficiência organizacional, sendo, contudo, fonte potencial de sofrimento e adoecimento para o trabalhador. Assim, explana-se aqui, sobre as inferências possíveis a partir da articulação da investigação de campo com o eixo teórico considerado no qual se encontram ancoradas as reflexões tecidas nesse estudo de natureza qualitativa. O objetivo maior perseguido durante a investigação foi o de identificar os significados atribuídos por trabalhadores do setor gráfico às rupturas no tempo da tarefa; como também, identificar quais ações representam rupturas no tempo da tarefa; investigar se as rupturas promovem algum benefício aos trabalhadores, e ainda averiguar se alguma relação entre as rupturas e as experiências de ócio. O trabalho de campo foi desenvolvido através de um enfoque etnográfico, mediante observação participante e registros em diário de campo, que se deram por meio das visitas sistematicamente realizadas. Complementou-se as observações com a realização de entrevistas semiestruturadas com os sujeitos colaboradores do estudo, dentro dos critérios de inclusão considerados e ainda tendo em vista a saturação amostral. Com a realização desse trabalho foi possível constatar que em meio às condições adversas e potencialmente adoecedoras das condições de trabalho na contemporaneidade, os trabalhadores são capazes de empreender rupturas no tempo da tarefa, enquanto ações de livre expressão, consideradas como forma de enfrentamento dessas condições que o permitem (re) significar o tempo de trabalho, rompendo com um tempo velho, passando a significar o tempo de trabalho para além da dor e do sofrimento, mas também como possibilidade de se vivido de forma, criativa, lúdica e festiva. Ao tempo quantificável das organizações se interpõem o tempo subjetivo dos sujeitos, pois, mediante o modo como os trabalhadores percebem e significam o tempo de trabalho, empreendem ações que representam cortes na rotina da tarefa, que ajudam o tempo de trabalho a passar de forma prazerosa, com representação repleta de significação para aquele que o vivencia. Infere-se ainda aproximações entre as rupturas empreendidas no tempo da tarefa como as experiências de ócio, enquanto vivências que se dão no âmbito da livre eleição e motivação intrínseca, que conferem repercussões individuais e coletivas ao sujeito da experiência. 

Palavras-Chaves: contemporaneidade, consumo, trabalho, sofrimento e ócio.

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Título:

 

 

AS POSSIBILIDADES SUBJETIVAS DA PRÁTICA ESPORTIVA

Aluna: Zuleika Araujo
Orientador: Prof. Dr. José Clerton de Oliveira Martins

Resumo

O presente estudo teve como objetivo investigar as possibilidades subjetivas da prática esportiva: Corrida de Rua na cidade de Fortaleza-Ceará-Brasil. Buscou também identificar os sentidos evidenciados pelos sujeitos pesquisados e descrever os aspectos satisfatórios dessa prática esportiva. Diante do fenômeno estudado, observa-se que há possibilidades subjetivas consideradas como potencializadoras que trazem prazer e bem estar para os sujeitos praticantes da corrida de rua. Mesmo que perpassados pela aceleração do tempo comprimido e relacionamentos efêmeros, enquanto peculiaridades constituintes da sociedade hipermoderna. O interesse no referido estudo decorre da constatação do crescente número de praticantes de corrida de rua na cidade de Fortaleza, bem como a percepção de satisfação advindos dessa prática. Em termos teóricos partimos dos trabalhos de Cuenca (2003, 2006, 2008) e Marcellino (1990, 1996, 2000, 2002, 2003) como referências centrais para o conceito de ócio e lazer respectivamente. Trabalhamos a hipermodernidade à luz de Lipovetsky (2004), Bauman (1998, 2002, 2003) e Beriain (2008). E o esporte com base em Stigger (2002, 2005), Bracht (1997). Assim, explana-se deduções teóricas e de pesquisa de campo referentes às possibilidades subjetivas das práticas esportivas, fruto desta investigação qualitativa de enfoque etnográfico realizada através de entrevista narrativa com proposta de tratamento dos dados amparado nas noções da técnica da análise de conteúdo de Bardin (1995, 1997, 2005). Apreendemos doze sentidos atribuídos à corrida de rua, cujos sentidos centrais são: liberdade, motivação intrínseca, desfrute, absorção, apreciação estética, descanso, desafio, encontro interpessoal, desenvolvimento pessoal, estética corporal, esporte de alto rendimento e saúde. Destas, dez se assemelham ao conceito de ócio autotélico e ao lazer ressignificado e uma se caracteriza como conseqüência da sociedade atual permeada pela preocupação com a estética e a outra como sinônimo de esporte de alto rendimento. Encontramos fortes indícios de que o esporte constitui-se uma experiência subjetiva e como possibilidade do sujeito ocupar o lugar de protagonista de sua história, distanciando-se das atividades utilitárias provedoras de vivências vazias de significado. De fato, o esporte tem várias vertentes e o aumento do número de participantes nas corridas de rua, encontra-se convocado pelos sentidos subjetivos que é capaz de gerar autoconhecimento e desenvolvimento pessoal e social. 

Palavras Chaves: Esporte, Ócio, Lazer, Hipermodernidade.

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Título:

 

ENTRE ARTÍFICE E OPERÁRIO: DISCURSOS SOBRE O TRABALHO DO PESCADOR ARTESANAL

Aluna: Fabiana Lira
Orientador: Prof. Dr. José Clerton de Oliveira Martins

Resumo

As transformações do mundo laboral e da sociedade em geral , a partir de uma temporalidade marcada pelo crescimento desregrado da automatização industrial, resultaram em significativas mudanças no modo de vida do pescador artesanal. Apesar de promoverem algum progresso, também, desestruturaram o significado primário da pesca artesanal, produzindo graves consequências, como o sofrimento psíquico dessa população. A problemática evidenciada que impulsionou a realizar esta pesquisa envolveu a percepção de que o modo de vida do pescador artesanal contemporâneo pode hipervalorizar o trabalho como valor de troca e proliferar um modelo de vida onde não se privilegia a dimensão subjetiva do trabalho. O objetivo central foi investigar no discurso do pescador artesanal os significados atribuídos ao seu trabalho. Realizou-se na colônia de pescadores Z-7 das praias do Município de Caucaia/CE, Brasil. Elegeu-se uma metodologia de abordagem qualitativa que, de forma sistemática, sustentou o alcance do objetivo da pesquisa. A etnografia possibilitou o revelar do modo de vida do pescador artesanal da comunidade Z-7 especificamente em seu trabalho, através dos recursos da observação participante, entrevistas, diário de campo e, por fim, do relato etnográfico. Também, o DSC – Discurso do Sujeito Coletivo arquitetou, na forma de um discurso único, uma representação social do grupo de pescadores sobre o seu trabalho. O DSC possibilitou a identificação de experiências de ócio no trabalho do pescador. Concluindo, identificou-se que, dentre os significados, há uma semelhança do trabalho do pescador com o do artífice e o do operário. Existe sofrimento, por ser uma atividade que não gera valor para o capital, e satisfação quando o trabalho envolve uma experiência. O trabalho do pescador artesanal inclui a perícia artesanal em dominar um saber fazer repassado de geração a geração, a fascinação em lidar com desafios harmônicos, enfim, a satisfação na atividade em si, que, em um sentimento de fluxo na experiência, pode provocar a sensação de um trabalho mais humanizado, menos alienante, possibilitando o recriar-se. Podem-se relacionar então esses aspectos com o significado da experiência de ócio que contém, em suas características próprias, o sentido de uma experiência humanizante. O que torna relevante este trabalho é talvez facilitar a percepção desse pescador quanto ao potencial do seu trabalho, como um ofício que possa também gerar satisfação,propiciando assim benefícios capazes de resultar em melhores condições de saúde e bem-estar. 

Palavras Chave: trabalho artesanal, trabalho, tempo, subjetividade

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